Anonymous São Carlos

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Assange: a América Latina na era das cyberguerras

Espionagem global é ponta de gigantesco iceberg. Controle dos fluxos de comunicação é nova arma dos Impérios. Alternativa pode estar no Sul


Assange: a América Latina na era das cyberguerras
 Por Julian Assange
 
O que começou como meio para preservar a liberdade individual pode agora ser usado por Estados menores, para frustrar as ambições dos maiores.
O cypherpunks[1] originais eram, na maioria, californianos libertaristas.[2]  Eu vim de tradição diferente, onde todos nós buscávamos proteger a liberdade individual contra a tirania do Estado. Nossa arma secreta era a criptografia. Já se esqueceu o quanto isso foi subversivo. A criptografia, então, era propriedade exclusiva dos Estados, para uso em suas muitas guerras. Ao escrever nossos próprios programas e distribuí-los o mais amplamente possível, liberamos a criptografia, a democratizamos e a espalhamos pelas fronteiras da nova internet.
A reação contra, sob várias leis “de tráfico de armas”, falhou. A criptografia se difundiu nos browsers da rede e em outros programas que, hoje, as pessoas usam diariamente. Criptografia forte é ferramenta vital na luta contra a opressão pelo Estado. Essa é a mensagem do meu livro Cypherpunks. Mas o movimento para disponibilizar universalmente uma criptografia forte tem de trabalhar para obter mais do que isso. Nosso futuro não está apenas na liberdade para os indivíduos.
Nosso trabalho em WikiLeaks implica compreensão semelhante da dinâmica da ordem internacional e da lógica do império. Durante o período de formação de WikiLeaks, encontramos evidências de pequenos países abusados e dominados por países maiores, ou infiltrados por empresas de fora, forçados agir contra eles próprios. Vimos o desejo popular ao qual não se dava voz e expressão, eleições compradas e vendidas, e países ricos, como o Quênia, assaltados e leiloados por plutocratas em Londres e em New York.
A luta pela autodeterminação latino-americana é importante para muito mais gente do que os que vivem na América Latina, porque mostra ao resto do mundo o que pode ser feito. Mas a independência da América Latina ainda engatinha. Tentativas para subverter a democracia latino-americana ainda acontecem, inclusive recentemente, em Honduras, Haiti, Equador e Venezuela.
Por isso a mensagem dos cypherpunks tem importância especial para os públicos latino-americanos. A vigilância em massa não é só problema para a governança e a democracia – é uma questão geopolítica. Se a população de um país inteiro é vigiada por país estrangeiro, há ameaça contra a soberania. Intervenção após intervenção nos assuntos da democracia na América Latina ensinaram-nos a ser realistas. Sabemos que os velhos poderes ainda explorarão, para benefício deles, qualquer possibilidade de retardar ou suprimir a eclosão da independência latino-americana.
Considere-se a simples geografia. Todos sabem que os recursos em petróleo regem a geopolítica global. O fluxo do petróleo determina quem é dominante, quem é invadido, quem é posto em ostracismo fora da comunidade global. O controle físico sobre um segmento de oleoduto define maior poder geopolítico. Governos que se ponham nessa posição podem obter concessões gigantescas. Num golpe, o Kremlin pode condenar a Europa Oriental e a Alemanha a um inverno sem calefação. E até a possibilidade de Teerã controlar um oleoduto para o leste, até Índia e China, é pretexto para a lógica belicosa de Washington.
Mas o novo grande jogo não é a guerra por oleodutos. É a guerra pelos dutos pelos quais viaja a informação: o controle sobre as vias de cabos de fibras óticas que se espalham pela terra e pelo fundo dos mares. O novo tesouro global é o controle do fluxo gigante de dados que conecta todos os continentes e civilizações, conectando as comunicações de bilhões de pessoas e empresas.
Não é segredo que, na Internet e no telefone, todas as rotas que entram e saem da América Latina passam pelos EUA. A infraestrutura da Internet dirige 99%  do tráfego que entra e que sai da América do Sul por linhas de fibras óticas que atravessam fisicamente fronteiras dos EUA. O governo dos EUA não mostrou qualquer escrúpulo quanto a quebrar sua própria lei e plantar escutas clandestinas nessas linhas e espionar os seus próprios cidadãos. Todos os dias, centenas de milhões de mensagens de todo o continente latino-americano são devoradas por agências de espionagem dos EUA, e armazenadas para sempre em armazéns do tamanho de pequenas cidades. Os fatos geográficos sobre a infraestrutura da Internet, portanto, têm consequências sobre a independência e a soberania da América Latina.
O problema também transcende a geografia. Muitos governos e militares latino-americanos protegem seus segredos com maquinário de criptografia. São caixas e programas que “desmontam” as mensagens na origem e as “remontam” no destino. Os governos compram essas máquinas e programas para proteger seus segredos – quase sempre o próprio povo paga (caro) –, porque temem, corretamente, que suas comunicações sejam interceptadas.
Mas as empresas que vendem esses equipamentos e programas caros mantêm laços estreitos com a comunidade de inteligência dos EUA. Seus presidentes e altos executivos são quase sempre matemáticos e engenheiros da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) capitalizando as invenções que eles mesmos criaram para o Estado de Vigilância. Não raras vezes, as máquinas que vendem são quebradas: quebradas propositalmente, por uma razão. Não importa quem as use ou como as usem – as agências dos EUA conseguem “remontar” os sinais e leem as mensagens.
Esse equipamento é vendido para a América Latina e outros países como útil para proteger os segredos do comprador, mas são, de fato, máquinas para roubar aqueles segredos.
Enquanto isso, os EUA aceleram a próxima grande corrida armamentista. A descoberta do vírus Stuxnet vírus – e depois dos vírus Duqu e Flame – marca o início de uma nova era de programas complexos usados como arma, que estados poderosos fabricam para atacar estados mais fracos. A primeira ação agressiva contra o Irã visou a minar os esforços daquele país com vistas a defender sua soberania – ideia que é anátema para os interesses de EUA e de Israel na região.
Longe vai o tempo em que usar vírus de computador como arma de ataque era peripécia de romance de ficção científica. Agora, é realidade global, que se espalha graças ao comportamento leviano do governo de Barack Obama, em violação da lei internacional. Outros estados agora pôr-se-ão na mesma trilha, aumentando a própria capacidade de ataque.
Os EUA não são os únicos culpados. Em anos recentes, a infraestrutura de Internet de países como Uganda tem recebido grandes investimentos chineses. Gordos empréstimos chegam, em troca de contratos africanos para que empresas chinesas construam a espinha dorsal da infraestrutura de Internet ligando escolas, ministérios do governo e comunidades ao sistema global de fibra ótica.
A África vai-se conectando online, mas com máquinas vendidas por potência estrangeira aspirante ao status de superpotência. A Internet africana será o meio pelo qual o continente continuará subjugado no século 21?
Esses são algumas das importantes vias pelas quais a mensagem dos cypherpunks vai além da luta pela liberdade individual. A criptografia pode proteger não só as liberdades civis e os direitos individuais, mas a soberania e a independência de países inteiros, a solidariedade entre grupos que lutem por causa comum, e o projeto da emancipação global. Pode ser usada para enfrentar não só a tirania do estado contra o indivíduo, mas a tirania do império contra estados menores.
O grande trabalho dos cypherpunks ainda está por fazer.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Maior protesto da história do Brasil

#‎OperaçãoSeteDeSetembro‬ em apenas 8 dias mais de 4 milhões convidados, mais de 200 mil confirmados! 76 cidades confirmadas!
Evento centralizado: https://www.facebook.com/events/601096219921653/
Saudações mundo! Este é o evento 'centralizado' do maior protesto da história do Brasil! No dia 7 de Setembro milhares de pessoas vão as ruas protestar, marcaremos história numa manifestação que terá repercussão mundial!
Este protesto está tendo apoio e divulgação de diversas páginas no Facebook que resolveram se unir por mudanças de uma forma geral! Abaixo dos links dos eventos dos protestos por cidades você pode conferir quais são!
Convidamos todos que moram no país e fora dele para se organizarem e protestarem mostrando a força que temos em exigir nossos direitos e colocarmos nossas vontades de uma maneira nunca vista antes!
Serão diferentes sugestões de reivindicações como alvos do protesto!
Divulguem a #OperaçãoSeteDeSetembro nas diferentes Redes Sociais!
Divulguem o maior protesto da história do Brasil!


Na data 7 de setembro de 1822, dia da independência do Brasil, um grito foi gravado na historia do Brasil, "Independência ou Morte!". Agora no dia 7 de Setembro de 2013 devemos honrar nossa pátria e ir as ruas unidos por um país melhor sem corrupção, sem farra de políticos com dinheiro publico, pedindo por educação, saúde, transporte de qualidade. Vamos as ruas, mostrar que queremos independência de um sistema político onde o nossos representantes não pensam no povo. Esse vai ser o maior protesto do Brasil e vamos mostrar ao mundo que cansamos de viver em uma ditadura escondida. Políticos dizem que o Brasil é um país democrático o povo sabe que não é bem assim, a mídia é manipulada. Então vamos fazer a nossa independência. 


Edward Snowden nomeado para Prêmio Nobel da Paz

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Um membro da Real Academia Sueca de Ciências e professor de sociologia da Universidade de Umea, Stefan Svallfors, enviou uma carta ao Comitê Nobel norueguês, na qual se expressou a favor da atribuição do Prêmio Nobel da Paz a Edward Snowden.
A carta nota que os esforços heróicos de Snowden, feitos em detrimento da sua situação pessoal, lançam luz sobre o extenso trabalho de espionagem que está sendo realizado pelos Estados Unidos.
“Graças à coragem de Snowden, o nosso mundo se tornou melhor e mais seguro”, disse o professor Svallfors.

Criminalização dos Black-Blocs: uma armadilha

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“O que precisa ser discutido, e parece esquecido nessa busca por culpados e pela criminalização de novos grupos ativistas anti-sistema, é a violência escalonante da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esse é o debate.”
Observamos nos últimos dois dias, e bem de perto, a criminalização do jovem ativismo anarquista, como outros movimentos também foram criminalizados num passado não muito distante. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, os movimentos do campo passaram por criminalizações similares, invenções midiáticas de invasão de terras “supostamente” produtivas, num claro revide contra a Reforma Agrária pleiteada. Com o auxílio da mídia convencional, esses movimentos foram taxados de vândalos, bárbaros, destruidores e um atraso para o desenvolvimento do país.
O que temos pra hoje são “caixas” e “mochilas” de molotovs confeccionados em garrafas de mesma marca, quase uma produção fabril, colocadas no chão por possíveis policiais infiltrados, ao lado dos Black Blocs que marchavam na Av. Rio Branco. Cenas que foram capturadas em câmera pelas mídias independentes. Esses mesmos infiltrados agem como se “descobrissem” os molotovs, e responsabilizam os grupos anarquistas. Ao reproduzir  novamente o discurso de que esses jovens são os responsáveis pelos conflitos, a mídia convencional só pode partir da presunção de que toda uma população ainda está imbecilizada. É esquecer que, ao custo de muita bomba e bala de borracha, as mídias independentes retiraram o véu de qualquer mentira e armação, e estão acessíveis a quase todos aqueles que buscam informações.
Quem está desde junho nas ruas sabe que os movimentos anarquistas, em especial os Black Blocs, servem de proteção aos manifestantes, pois colocam-se na linha de frente, com escudos e proteções, prontos para devolver bombas aos seus atiradores. Sem essa linha de frente, quem estava na Presidente Vargas no dia 20/06 não teria saído a tempo sem ser pisoteado, baleado, ou fortemente intoxicado.
O que precisa ser discutido, e parece esquecido nessa busca por culpados e pela criminalização de novos grupos ativistas anti-sistema, é a violência escalonante da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esse é o debate. Não pode ser naturalizado uma criança de cerca de 8 anos desmaiada no meio da Cinelândia por intoxicação de gás lacrimogênio. Não pode ser considerado normal que a polícia faça duas linhas fechando a Av. Rio Branco, e uma linha lateral onde obrigatoriamente seria o escoamento, e jogar spray de pimenta em todos que passavam.
A polícia carioca age na surdina, com carros envelopados sem identificação, atirando em manifestantes que já haviam dispersado. Persegue manifestantes por ruas, bairros, longos percursos, atirando bombas em hospitais, em residências, em passantes, bares, praças, deliberadamente, e planejadamente. Não são despreparados, são uma máquina de repressão comandada pelo Estado.
Aos que tem acesso à informação, não permitam que se criminalize mais um grupo social simplesmente por existir e por questionar o poder vigente. É preciso encampar essa luta, é preciso desmilitarizar, desarmar essa máquina de matar. Pois, como bem diz uma das faixas das manifestações: “A mesma polícia que reprime no asfalto é a que mata nas favelas”. E o que vai acontecer quando esse grupo que é a linha de frente das manifestações for criminalizado? As balas vão deixar de ser de borracha no asfalto também?
“É preciso estar atento e forte…”

Fonte: Blog das lutas

A Batalha de Laranjeiras, 11 de Julho de 2013


Esta é uma obra documental.

Cansados da corrupção, violência policial e estripulias aereas do governador Sergio Cabral, uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara foi convocada dia 11 de Julho. Quando o protesto no Rio de Janeiro finalmente conseguiu fechar a Av. Pinheiro Machado nas duas vias, não demorou pra polícia começou a atirar bombas e balas de borracha. Manifestantes e Black Blocs desceram a Rua Paissando virando e queimando lixeiras pelo caminho enquanto alguns moradores gritavam "vândalos", mas mudaram de ideia rapidinho quando o gás lacrimogêneo tomou conta de seus apartamentos.

#ProtestoRJ #OcupaCabral
Imagens: Matias Maxx
Edição: Guilherme Schumann

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Manifestantes usam adesivo para trocar o nome da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira por jornalista Vladimir Herzog durante protesto.


Vídeo mostra o momento em que Manifestantes rebatizaram a Ponte Estaiada, no ato realizado em frente a Rede Globo hoje em São Paulo.
O nome do Jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar, foi escolhido pelo povo para substituir o de Octávio Frias de Oliveira.
 
Manifestantes usam adesivo para trocar o nome da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira por jornalista Vladimir Herzog durante protesto na noite desta quinta-feira (11) em frente à sede da Rede Globo, na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, zona sul de São Paulo. Herzog foi morto durante a ditadura militar. Ele foi encontrado enforcado nas dependências do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) em outubro de 1975, aos 38 anos.

Brasil sabe de espionagem americana desde 2001

Depoimentos revelam que o governo já tinha conhecimento de que os EUA possuem meios de nos observar
Por pelo menos duas vezes, o governo brasileiro reconheceu que os Estados Unidos espionam os serviços de comunicações do país. Uma na gestão Fernando Henrique Cardoso, outra na de Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira delas ocorreu em 2001, quando o então ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, general Alberto Cardoso, disse em depoimento à Câmara dos Deputados que os EUA desenvolveram um projeto de bisbilhotagem.
O país se unira a Reino Unido, Irlanda, Austrália, Canadá e Alemanha para criar o Echelon, que podia interceptar e-mails, voz e fac-símile, segundo um relatório do Parlamento Europeu divulgado naquele ano. O general, entretanto, disse que França, Itália e Rússia também tinham como espionar. Já em 2008, o engenheiro eletrônico Otávio Carlos Cunha da Silva, diretor do Cepesc (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Informações) da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), confirmou a existência do Echelon e mais: "Há o Echelon americano, o Echelon europeu", disse.  
Segundo ele, toda comunicação "que está no ar" pode ser interceptada pelo projeto, que seria controlado pela NSA (Agência de Segurança Nacional) dos EUA, a mesma que, segundo o ex-agente Edward Snowden, tem vigiado o mundo todo por meio da internet.  Foram feitos vários relatos sobre a atuação do Echelon desde a década de 1970, mas há indícios de que ele foi criado em 1948, com a assinatura de um acordo de cooperação de inteligência entre Reino Unido, EUA, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.
 
Leia Brasil cobra esclarecimentos aos EUA sobre espionagem 
Assista ao vídeo onde Edward Snowden denuncia o governo dos EUA
Leia Anatel investigará participação de teles em caso de espionagem

Fonte: Olhar Digital e Folha de S.Paulo